O Menino e Seu Brinquedo

Friday, July 14, 2006

Sobre a Burguesia Moralizante


Nada tenho contra a burguesia.
Segundo o Lipovetsky, sem o surgimento e a ascensão da burguesia, todo o Sistema de Moda como o conhecemos hoje, não teria acontecido. E nós, profissionais de Moda, não existiríamos. Ou talvez existíssemos. Num outro formato.
Como minha bola de cristal continua quebrada, não tenho como saber com certeza, mas enfim...
Me oponho, contudo, a essa burguesia limpinha, composta por supostos intelectuais, gente bem alimentada, bem vestida, bem protegida, bem instruída, mas não tão bem educada. Não tão polida, que dirá lapidada.
As jóias da coroa da nossa bela sociedade ocidental e cristianizada, são semi-preciosas.
Embaçadas. Sem brilho.
Deixe-me explicar.
Estou falando daquilo que deveria ser a nossa elite cultural e intelectual.
Num mundo ideal, todos deveriam ter acesso a essa cultura, mas se eu continuar por esse caminho, perco o foco. Portanto,vamos voltar aos trilhos.
À burguesia moralizante.
Me dizia um ser, num passado mais ou menos distante, que a "aristocracia" - da qual ele julgava que eu julgava pertencer, de uma certa forma - colocava-se acima dos reles mortais e se via como uma entidade além do bem ou do mal, imune às cargas morais e capaz de dizer e fazer tudo que lhe aprouvesse.
Penso eu que há uma série de falhas nessa linha de pensamento e a primeira é departamentizar.
Não é uma benesse dessa "aristocracia".
Acredito que a ética é a tônica desse grupo que ele descreve. Que não é um grupo que se enxerga separado da sociedade ou superior a ela, mas pertencente. E tão pertencente que é capaz de questionar. E, questionando, pode concluir que aquela regra moral não funciona.
E mais, não é um grupo. São pessoas.
Pessoas que refletem. E quando se encontram, numa dessas esquinas da vida, podem discutir, divergir e desenvolver... pensamentos!
Cada um de nós, se disposto a pensar sua vida de forma ética (fazendo escolhas, tomando para a si a responsabilidade por essas escolhas e comprometendo-se com e por elas), pode se comportar de uma forma que é muito verdadeira. Muito consciente.
E, onde entra a tal burguesia moralizante?
Bom, em primeiro lugar, gostaria de dizer que quem cunhou o termo foi o Vinícius de Moraes, que eu amo.
E eu me apropriei do termo, com todo o respeito.
A burguesia moralizante está muito mais próxima desta "aristocracia" que me foi descrita.
Burgueses Moralizantes falam muito de liberdade de ação e pensamento.
Mas apresente a um deles um comportamento verdadeiramente ético, livre mesmo e veja surgir um Neanderthal de Gravata.
Burgueses Moralizantes falam abertamente sobre drogas e sexo, mas ainda rotulam as mulheres entre aquelas que você come e aquelas com quem você se casa.
Burgueses Moralizantes têm um mundo de regras para tudo. Não acreditam em sonhos. Não ousam. Não entendem.
Burgueses Moralizantes repreendem, mas não se questionam porque se chocam. Porque acham que isto ou aquilo é uma "pouca vergonha".
Burgueses Moralizantes parecem não ter vida própria, porque se ocupam em opinar sobre a vida do transeunte à sua frente.
Ando cansada dessa gente. É a mesma gente de plástico, com idéias compradas num mesmo manual. Com a mesma risada... de plástico! Homofóbicos, machistas, conservadores, perdidos num ideal de comercial de geladeira dos anos 50. Algo como Stepford Wives.


Namaste umetuká

2 Comments:

  • At Monday, July 17, 2006, Anonymous H.H. said…

    Ora, deixe os burgueses moralizantes de lado.
    Incomoda, imagino que incomode.
    Mas deixe pra lá.
    É tudo o que eles têm, não se esqueça disso.

    Somebodylove.

     
  • At Tuesday, July 18, 2006, Blogger Regina said…

    Mmmmmmmm...
    "É tudo o que eles têm, não se esqueça disso."
    Life changing moment...

     

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